para que leda – alguém mais?… – me leia

08.dezembro.2009 - Uma resposta
para que leda me leiapara que leda me leia

precisa papel de seda

precisa pedra e areia

para que leia me leda

precisa lenda e certeza

precisa ser e sereia

para que apenas me veja

pena que seja leda

quem quer você que me leia

[Paulo Leminski]

Adoro escrever desde que me entendo por um ser alfabetizado. Bilhetes na sala de aula para os amigos, cartas de afeto e amor para parentes e pretês, redações (e não só as que a professora de Português encomendava). Fiz dois livrinhos de contos na 2ª e na 3ª séries, como atividade de final de ano – bela escola esta, Pentágono… -, e cheguei ao cúmulo de escrever meu nome e frases soltas pelas paredes e portas de casa. (Prefiro não lembrar do castigo que recebi…)

Escrevo assim até hoje, é meu trabalho, e confesso que sinto um prazer especial no bater de teclas. Mas abandonei, a-ban-do-nei este blog e um outro que mantenho em segredo, a que só eu tenho acesso. Por quê? Talvez eu tenha a resposta.

Assim como sempre gostei de escrever, não gosto, na mesma proporção, de fazer coisas que outras pessoas fazem aos montes. Salvas as exceções, que existem e nós só temos de agradecer por isto!, blog virou sinônimo de “falomesmofalotudofaloeescrevo”. É gritante e perturbante a quantidade de espaços abertos para que bobagens e mentiras sejam propagadas pela world wide web. Ok, vivemos num mundo livre. Uf…

Mas… Meu bode não acaba com a minha vontade de escrever, muito menos me impede de postar aqui as coisas que escrevo, as minhas bobagens, as minhas mentiras – nunca disfarçadas de dados concretos ou fatos históricos. Eu não sei para quem escrevo, e pode ser que nem exista esse alguém. Pode ser que nem a Leda, a do Leminski ou outra, venha a me ler. Ainda assim quero fazer. Ainda que muito de vez em quando…

Um dia eu volto. Acho que amanhã mesmo.

ps. Obrigada a quem me presenteou com este PL.

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o mundo até parece uma festa

01.outubro.2009 - 4 Respostas
o vento sabe se divertir com o tempo...

o vento sabe celebrar o tempo...

você resolve se quer fazer do seu dia uma celebração ou um lamento, apesar de não ser tão simples. e é esse o desafio, simplificar tudo o que for possível, venha de fora ou de dentro. o mundo é desatento, deixa passar momentos lindos no meio de uma pressa de bater ponto, pagar conta, ser alguém mais esperto. sempre me pergunto se o que faço é o mais importante, menos quando não tenho dúvidas e apenas sinto – bem, comigo e com todos os contudos. viver será vencer a rotina como se nenhuma luta fosse, deixando rastros bem marcados de feitos bem-feitos e sonhos prontos para consumo. acorde e pense no que quer fazer de você hoje. se conseguir, me conte. eu abro a champanhe. faço a trilha, arrisco uns passos na pista, volto pra casa sem resto de energia – algo que quanto mais se usa mais se renova, mais se tem forte. ter ânimo é escolha; sendo assim, escolha-se. a sensação de saber de tudo? falsa, é só a impressão que acumular os anos causa. só fachada. se é pra mostrar, que seja belo! bonito de guardar na gaveta dos olhos, mas espalhar a parte volátil – suave… – pelos poros.

…eu escreveria com o vocabulário dos sons e no infinito viveria o hoje. eu digo obrigada à sorte!

da série O futebol explica tudo – II

31.agosto.2009 - Leave a Response
tirada no Memorial do Maracanã/RJ.

tirada no Memorial do Maracanã/RJ.

Explica?

nonsensemania

07.agosto.2009 - 2 Respostas

não conhecia nada além do silêncio da madrugada. a vida de dia é de muitas palavras, muito agitada. vive acabando o tempo de fazer alguma coisa. o momento é próximo, o próximo momento. é, mas não há de ser nada. saudades do tempo em que a verdade era brincada. brincadeira de verdade é ser autenticamente babaca. sem medo da papelada. papagaiada. macacada. palavras foneticamente parecidas. o todo pela parte. a parte que não diz nada. nadar num oceano de possibilidades inventadas. frases de alguma música, poesia ou cena, autoria roubada. vida que corre e vaza pelas grutas da incerteza. a única certeza é a cereja do bolo do aniversário que traz a idade de crescer para a razão. se você quer dizer sim, por que diz não?

Ontem

10.julho.2009 - 2 Respostas

O dia anterior parece perto

ou longe?

Deixa a sensação

de que o mundo

é para os nômades

que caminham sem direção.

E a Lua,

ainda cheia no céu,

pura provocação.

* Na página de ontem da minha agenda, Fernando Pessoa escreveu:

“Eu gosto tanto de ti que tenho vergonha de mim. Há todas as razões boas para eu não gostar de ti, menos a de eu não gostar, porque gosto. É fantástico a gente sentir o que não quer e ter um coração independente.” (Aforismos e Afins)

Eis um homem fantástico…

Saudade capital

16.junho.2009 - 6 Respostas

Brasília tem um quê de capital de outro planeta.

Inóspita e improvável, reta e curva, agregadora e distante, única.

Depois de lá estar por duas semanas quase inteiras, seguidas, sinto falta… Simples saudades de estar lá, naquela posição geográfica que não é a minha raiz exata — que é Sampa –, mas que tanto diz do meu país, desse nosso povo, dessa nossa cultura. Eu indico o Cerrado, a selva de pedra (meio um descampado) de Niemeyer, o céu de Brasília.

Também o final de tarde, os taxistas — Aidê! Sérgeo! –, os moradores de nomes estranhos, as quadras, os setores, os eixos. Os bares cheios de não-sei-quem’s e o monsieur Daniel Briand, pelo ambiente francês, os croissants e a bomba de chocolate! Aquele árabe que mesmo numa segunda-feira tinha vida, obrigada!

Me sinto mais brasileira depois desses dias brasilienses… Coisa boa.

E, pra fechar com chave de ouro, mais uma dessas coincidências que a gente adora — Vanvan que achou noutro blog: Os Bolonistas –, um trecho do filme L’ Homme de Rio, de 1964, com Jean-Paul Belmondo. Ótemo!

da série Frases invasoras de cérebro

10.junho.2009 - Leave a Response

No mundo adulto não há espaço para firulas.
(Da rainha das firulinhas)

Isto é poesia, meu senhor

09.junho.2009 - Uma resposta

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;

E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.

Assim é a ação humana pelo mundo afora.

Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;

E o sol é sempre pontual todos os dias.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), Poesia

Do que se ouve com os ouvidos mais atentos

01.junho.2009 - Uma resposta

É engraçado que se descubram preciosidades em meio a coisas que já nos pertenciam. Livros que lemos de novo e com os quais finalmente nos identificamos, roupas para as quais não damos muita bola e de repente vestimos e com elas nos gostamos, músicas que num dado momento parecem mais bonitas e sincronizadas com o que estamos pensando, sentindo, vivendo. Com uma música, isso pode rolar sem que a letra tenha um sentido literal, levado à risca. Pode ser que os versos falem em código, escondam mensagens desconexas… Dá pra entender? Talvez não dê mesmo, e cada vez mais eu aprecio aqueles lances que a gente não sabe bem como…

Meiga Presença

Mart’nália

Quem ao meu lado
esses passos caminhou?
Esse beijo em meu rosto,
quem beijou?

A mão que afaga a minha mão,
este sorriso que não vejo
De onde vem? Quem foi que me voltou?
Vem, de outro tempo
bem longe que esqueci

A ternura que nunca mereci
Quem foste tu presença e pranto?
Eu nunca fui amada tanto
Estás aqui, momento antigo
Estás comigo!
Se não te importa ser lembrado
Se não te importa ser amado
Amor amigo, fica ao meu lado sempre

O futebol explica tudo…

24.maio.2009 - Uma resposta

“A bola não é a inimiga

como o touro, numa corrida;

e, embora seja um utensílio

caseiro e que se usa sem risco,

não é o utensílio impessoal,

sempre manso, de gesto usual:

é um utensílio semivivo,

de reações próprias como bicho,

e que, como bicho, é mister

(mais que bicho, como mulher)

usar com malícia e atenção

dando aos pés astúcias de mão.”

João Cabral de Melo Neto