Archive for the ‘mania de jornalista’ Category

Mais um passo virtual
28.abril.2011

Mesmo que você não me conheça e tenha entrado pela primeiríssima vez nesta página, já terá percebido, numa rápida espiada, que abandonei este blog à própria sorte. Não, não me orgulho disso. O fato é que, na minha opinião de blogueira pré-boom dos blogs e tuiteira antes que até jogador de futebol tivesse “seguidores”, os bons conteúdos dos bons blogs de hoje se perdem facilmente numa maré de surfistas de ocasião. Fora que a ferramenta em si caminha na contramão dos 140 caracteres de fama a que todos atualmente têm direito. De tão acessível, ter blog está se transformando em algo banalizado. O que não quer dizer, repito, que não existam excelentes exceções, que reúnem informações e opiniões relevantes. Mas, enfim, isso tudo é papo para outro post.

O objetivo do momento é apresentar mais um espaço que criei para espalhar notícias sobre os meus trabalhos e os assuntos pelos quais tenho especial interesse. Partilhar inspirações e ideias de forma simples e rápida me parece o desafio (e a grande saída) dos dias cibernéticos atuais.

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para que leda – alguém mais?… – me leia
08.dezembro.2009

para que leda me leiapara que leda me leia

precisa papel de seda

precisa pedra e areia

para que leia me leda

precisa lenda e certeza

precisa ser e sereia

para que apenas me veja

pena que seja leda

quem quer você que me leia

[Paulo Leminski]

Adoro escrever desde que me entendo por um ser alfabetizado. Bilhetes na sala de aula para os amigos, cartas de afeto e amor para parentes e pretês, redações (e não só as que a professora de Português encomendava). Fiz dois livrinhos de contos na 2ª e na 3ª séries, como atividade de final de ano – bela escola esta, Pentágono… -, e cheguei ao cúmulo de escrever meu nome e frases soltas pelas paredes e portas de casa. (Prefiro não lembrar do castigo que recebi…)

Escrevo assim até hoje, é meu trabalho, e confesso que sinto um prazer especial no bater de teclas. Mas abandonei, a-ban-do-nei este blog e um outro que mantenho em segredo, a que só eu tenho acesso. Por quê? Talvez eu tenha a resposta.

Assim como sempre gostei de escrever, não gosto, na mesma proporção, de fazer coisas que outras pessoas fazem aos montes. Salvas as exceções, que existem e nós só temos de agradecer por isto!, blog virou sinônimo de “falomesmofalotudofaloeescrevo”. É gritante e perturbante a quantidade de espaços abertos para que bobagens e mentiras sejam propagadas pela world wide web. Ok, vivemos num mundo livre. Uf…

Mas… Meu bode não acaba com a minha vontade de escrever, muito menos me impede de postar aqui as coisas que escrevo, as minhas bobagens, as minhas mentiras – nunca disfarçadas de dados concretos ou fatos históricos. Eu não sei para quem escrevo, e pode ser que nem exista esse alguém. Pode ser que nem a Leda, a do Leminski ou outra, venha a me ler. Ainda assim quero fazer. Ainda que muito de vez em quando…

Um dia eu volto. Acho que amanhã mesmo.

ps. Obrigada a quem me presenteou com este PL.

Pode chamar de Guga… Sabe quem?
21.maio.2009

Entrevista com o tenista Gustavo Kuerten, o Guga, concedida por email para a seção Olhar estrangeiro da edição de maio da revista Up!, da companhia aérea portuguesa TAP. Texto na íntegra, em português BR.

Por Flavia Perin

Maior tenista brasileiro de todos os tempos, Gustavo Kuerten – Guga, como é conhecido – é uma figura fundamental do esporte do Brasil, facilmente lembrado por suas três vitórias em Roland Garros (em 1997, 2000 e 2001), torneio que, reconhece, é a sua grande paixão. O Aberto da França de 1997 foi a sua primeira grande conquista profissional e a maior do tênis masculino brasileiro até hoje. O jovem catarinense, então com apenas 20 anos e 66º do ranking mundial, desbancaria o bicampeão do torneio, o espanhol Sergi Bruguera, em plena final.

A trajetória premiada começou cedo, aos 6 anos, quando Guga já “batia umas bolinhas” e disputava torneios na categoria 10 anos. Aos 14 anos passou a trabalhar com o treinador Lari Passos e, assim, a percorrer o mundo das quadras. Começava uma carreira construída com muito comprometimento, como define Guga. “A progressão e o modo como me diferenciei pelos resultados foram um processo natural e um grande aprendizado”, afirma. Mesmo fora das quadras como jogador, mantém a forte identificação com o esporte que trouxe títulos e sucesso e que, segundo ele, se transformou em amor. Atualmente, Guga promove ações sociais com o Instituto Guga Kuerten, que atua principalmente em Santa Catarina, e trabalha em projetos para desenvolver o tênis no Brasil.

Neste momento, está envolvido com a realização da Semana Guga Kuerten, que ocorrerá em Florianópolis do dia 7 a 14 de junho. O evento terá como base a sua experiência como tenista desde a fase juvenil e será composto por várias ações, como a Copa Guga Kuerten para tenistas de 10 a 18 anos, um torneio nacional que ele espera que no futuro se torne internacional. Haverá também clínicas com Larri Passos e o tenista brasileiro Jaime Oncins, palestras com o preparador físico Nuno Cobra e jogos de tênis por toda a capital catarinense, realizados em mini-quadras.

Para encerrar, Guga jogará um jogo-exibição com Sergi Brugera, repetindo a final de Roland Garros de 1997. “Voltei a treinar com o Larri para poder encarar mais uma vez o Brugera”, conta. Mais um acontecimento marcante para o tenista que diz que, com o tênis, experimenta emoções que só o esporte pode proporcionar. “O tênis me ensinou muito em termos de disciplina, determinação, respeito, valores morais, planejamento e conquista de metas, além de cultura em função das viagens.”

Portugal ocupa parte importante de seu mapa profissional e afetivo, já que em 2000 venceu o Masters Cup de Lisboa. “Realizei o sonho de terminar uma temporada como o número 1 do mundo, tendo a oportunidade de enfrentar Pete Sampras e Andre Agassi, na semifinal e na final da competição.” Como brasileiro, revela ter uma ligação histórica com Portugal, vínculo que foi se aprofundando com os vários torneios que disputou no país. “A cultura e o idioma me deixam muito confortável em Portugal.” Para ele, a aproximação e o envolvimento entre os brasileiros e o povo português foram determinantes para a conquista do Masters Cup de Lisboa. “São detalhes que contam demais numa vitória. Foi muito legal poder discursar em português.”

Aos turistas de primeira viagem a terras portuguesas, Guga sugere que se dediquem a conhecer e a se aprofundar na cultura nacional. “A história dos precursores das expedições marítimas e a literatura, enfim, todo o lado cultural que está ligado diretamente à nossa origem”, aponta. Das idas à Portugal, o tenista guarda a lembrança do desenvolvimento que testemunhou. “Visitei Portugal na década de 90 e, quando voltei em 2000, percebi uma evolução rápida, um país mais desenvolvido, mais bem preparado.” Uma passagem bastante forte e interessante, apesar de triste, está entre as memórias que Guga mantém em relação à Portugal: “Eu sempre declarei que era fã do Ayrton Senna, mas nós não nos conhecíamos e combinamos de nos encontrar na Quinta da Braguinha, em Bragança, logo após a corrida dele e do meu jogo em Lisboa. Não deu tempo. O Senna morreu na Itália no mesmo dia em que eu estava jogando em Portugal. Esta história é inesquecível para mim.”

Das personalidades portuguesas, as que mais despertam a sua admiração são Luís Figo, Cristiano Ronaldo e Eusébio, no futebol, e a maratonista Rosa Mota. Seu lugar predileto no país? “A Praia do Guincho”, em Cascais, responde sem titubear, já que além de tenista Guga é um aficcionado surfista. Ele lembra que Santa Catarina oferece boas condições de surfe durante o ano inteiro, de Florianópolis até as praias do sul do Estado. Entusiasmado com o assunto, Guga destaca o que há de melhor em sua terra natal: “Apesar da nossa beleza natural diferenciada, me orgulho muito do povo catarinense. Santa Catarina também foi privilegiada pela imigração, influência que, agregada à emotividade brasileira, gerou uma população muito gentil e receptiva.” Um legítimo convite para conhecer Santa Catarina, de um dos seus mais estrelados filhos.

Mexamos a língua!
12.fevereiro.2009

Ou “Porque eu gosto do Acordo Ortográfico”

Quantas matérias, artigos e entrevistas com linguistas (sem trema, hein?) e outros ‘istas’ já li sobre as mudanças na nossa gramática do dia a dia? (Agora sem hífen mesmo quando é substantivo…)

Todo mundo concorda, mesmo quem defende o Acordo, que reaprender qualquer coisa é uma chatice, assim como o é para os profissionais diretamente envolvidos – professores, jornalistas, revisores, editores – ter de ficar explicando porque deixaram ou é preciso deixar de usar um acento ou certa grafia. Concordo, temos mais o que fazer. Mas, por que não adiar outros aprendizados, ou mesmo hobbies, a novela das 8,  o BBB, o cineminha para sentar 10 minutos diante de um bom resumo das alterações do Acordo? Ninguém vai perder uma perna e o cerébro agradece – ele adora exercício.

O que está em questão aqui vai muito além de achar mais prático, bonito, democrático ou solidário usar esta ou aquela regra. E nem vou falar do quanto o mercado editorial pode crescer nos 8 países de língua portuguesa com o intercâmbio/comércio de livros. Estamos, afinal, discutindo uma matéria que para muitos só existia na escola, que está esquecida mesmo que seja usada todos os dias, em tudo, e que seja o nosso primeiro e melhor cartão de visita. Não consigo deixar de dar 100 pontos de crédito para uma pessoa, de cara, se vejo que ela usa direito, bem o seu idioma. Falar e escrever bem significam comunicar-se e compreender melhor o mundo. Ter a chance de ser, portanto, um ser humano mais justo.

Quem tem preguiça do assunto, atire a primeira pedra, e eu devolvo um calhamaço de textos, até emails, cheios de erros marcados em vermelho. Forçando assumidamente a barra: sinto como se fosse a própria visão do inferno, parece sangue! E ouvir um “nós vai”? Ouço direto, de bocas bem tratadas, gafes piores ou semelhantes.

Então, gente, vamos mexer essas cabeças e línguas, estimular a nós próprios e aos outros para este movimento, e quem sabe assim nosso país deixa de ter a língua presa!

E tenho dito.