Archive for maio \24\UTC 2009

O futebol explica tudo…
24.maio.2009

“A bola não é a inimiga

como o touro, numa corrida;

e, embora seja um utensílio

caseiro e que se usa sem risco,

não é o utensílio impessoal,

sempre manso, de gesto usual:

é um utensílio semivivo,

de reações próprias como bicho,

e que, como bicho, é mister

(mais que bicho, como mulher)

usar com malícia e atenção

dando aos pés astúcias de mão.”

João Cabral de Melo Neto

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Pode chamar de Guga… Sabe quem?
21.maio.2009

Entrevista com o tenista Gustavo Kuerten, o Guga, concedida por email para a seção Olhar estrangeiro da edição de maio da revista Up!, da companhia aérea portuguesa TAP. Texto na íntegra, em português BR.

Por Flavia Perin

Maior tenista brasileiro de todos os tempos, Gustavo Kuerten – Guga, como é conhecido – é uma figura fundamental do esporte do Brasil, facilmente lembrado por suas três vitórias em Roland Garros (em 1997, 2000 e 2001), torneio que, reconhece, é a sua grande paixão. O Aberto da França de 1997 foi a sua primeira grande conquista profissional e a maior do tênis masculino brasileiro até hoje. O jovem catarinense, então com apenas 20 anos e 66º do ranking mundial, desbancaria o bicampeão do torneio, o espanhol Sergi Bruguera, em plena final.

A trajetória premiada começou cedo, aos 6 anos, quando Guga já “batia umas bolinhas” e disputava torneios na categoria 10 anos. Aos 14 anos passou a trabalhar com o treinador Lari Passos e, assim, a percorrer o mundo das quadras. Começava uma carreira construída com muito comprometimento, como define Guga. “A progressão e o modo como me diferenciei pelos resultados foram um processo natural e um grande aprendizado”, afirma. Mesmo fora das quadras como jogador, mantém a forte identificação com o esporte que trouxe títulos e sucesso e que, segundo ele, se transformou em amor. Atualmente, Guga promove ações sociais com o Instituto Guga Kuerten, que atua principalmente em Santa Catarina, e trabalha em projetos para desenvolver o tênis no Brasil.

Neste momento, está envolvido com a realização da Semana Guga Kuerten, que ocorrerá em Florianópolis do dia 7 a 14 de junho. O evento terá como base a sua experiência como tenista desde a fase juvenil e será composto por várias ações, como a Copa Guga Kuerten para tenistas de 10 a 18 anos, um torneio nacional que ele espera que no futuro se torne internacional. Haverá também clínicas com Larri Passos e o tenista brasileiro Jaime Oncins, palestras com o preparador físico Nuno Cobra e jogos de tênis por toda a capital catarinense, realizados em mini-quadras.

Para encerrar, Guga jogará um jogo-exibição com Sergi Brugera, repetindo a final de Roland Garros de 1997. “Voltei a treinar com o Larri para poder encarar mais uma vez o Brugera”, conta. Mais um acontecimento marcante para o tenista que diz que, com o tênis, experimenta emoções que só o esporte pode proporcionar. “O tênis me ensinou muito em termos de disciplina, determinação, respeito, valores morais, planejamento e conquista de metas, além de cultura em função das viagens.”

Portugal ocupa parte importante de seu mapa profissional e afetivo, já que em 2000 venceu o Masters Cup de Lisboa. “Realizei o sonho de terminar uma temporada como o número 1 do mundo, tendo a oportunidade de enfrentar Pete Sampras e Andre Agassi, na semifinal e na final da competição.” Como brasileiro, revela ter uma ligação histórica com Portugal, vínculo que foi se aprofundando com os vários torneios que disputou no país. “A cultura e o idioma me deixam muito confortável em Portugal.” Para ele, a aproximação e o envolvimento entre os brasileiros e o povo português foram determinantes para a conquista do Masters Cup de Lisboa. “São detalhes que contam demais numa vitória. Foi muito legal poder discursar em português.”

Aos turistas de primeira viagem a terras portuguesas, Guga sugere que se dediquem a conhecer e a se aprofundar na cultura nacional. “A história dos precursores das expedições marítimas e a literatura, enfim, todo o lado cultural que está ligado diretamente à nossa origem”, aponta. Das idas à Portugal, o tenista guarda a lembrança do desenvolvimento que testemunhou. “Visitei Portugal na década de 90 e, quando voltei em 2000, percebi uma evolução rápida, um país mais desenvolvido, mais bem preparado.” Uma passagem bastante forte e interessante, apesar de triste, está entre as memórias que Guga mantém em relação à Portugal: “Eu sempre declarei que era fã do Ayrton Senna, mas nós não nos conhecíamos e combinamos de nos encontrar na Quinta da Braguinha, em Bragança, logo após a corrida dele e do meu jogo em Lisboa. Não deu tempo. O Senna morreu na Itália no mesmo dia em que eu estava jogando em Portugal. Esta história é inesquecível para mim.”

Das personalidades portuguesas, as que mais despertam a sua admiração são Luís Figo, Cristiano Ronaldo e Eusébio, no futebol, e a maratonista Rosa Mota. Seu lugar predileto no país? “A Praia do Guincho”, em Cascais, responde sem titubear, já que além de tenista Guga é um aficcionado surfista. Ele lembra que Santa Catarina oferece boas condições de surfe durante o ano inteiro, de Florianópolis até as praias do sul do Estado. Entusiasmado com o assunto, Guga destaca o que há de melhor em sua terra natal: “Apesar da nossa beleza natural diferenciada, me orgulho muito do povo catarinense. Santa Catarina também foi privilegiada pela imigração, influência que, agregada à emotividade brasileira, gerou uma população muito gentil e receptiva.” Um legítimo convite para conhecer Santa Catarina, de um dos seus mais estrelados filhos.

Doce vida de cão
19.maio.2009

Para o Lu

Pequeneza, só de tamanho. Preencheu a vida de nós, gigantes, com grandeza feita de leveza e alegria.

Gracejos. Presentes de todos os dias — acordava, seguia, pulava, chamava. Tinha graça até quando dormia.

Os passos, apressados, ora pairavam com o cheiro do ar, o odor da rua, o rastro do desconhecido. Ora levavam além do permitido, como que sugerindo “Podemos ir só mais um pouquinho ali?”. (Quem não desejaria?)

Olhos arregalados, calados, gravavam cada movimento, entendiam o que os meus diziam.

Com ele aprendi que a saudade é mesmo assim: faz parte. (Ah, a saudade…) É sentir o coração chorar… E, ao mesmo tempo, sorrir.

Estreamos!
08.maio.2009

2009 tem sido agitado, cheio de mudanças, desafios e boas (ótemas!) novas. Esta que relato agora é fruto de mais uma maravilhosa coincidência da vida: um grande amigo que me repassa um contato de possível freela para uma nova revista, para a qual eu me apresento interessada, o que resulta na minha apresentação na mão de uma pessoa que há tempos o destino quer trazer pra perto – e que, pra história ficar completa, é redatora-chefe da tal revista.

A Red Report é uma nova aposta da comunicação da TAM. Circula somente nos voos internacionais e tem cara e abordagem ultramodernas. Linda! Matérias que mais parecem dicas de amigos descolados!

Nesta primeira edição, fui responsável pela seção Destinations – “Um olhar insider sobre os destinos TAM” -, mais especificamente pelos hotéis, restaurantes, bares, baladas, lojas e aeroportos de 14 cidades do Brasil e da Europa. Também tive o prazer de assinar uma nota com o melhor do bairro madrilenho de Chueca – que conheci no ano passado e já inclui na minha lista de points bacanas.

Enquanto a materinha de Madri não é estampada no meu portfólio online (www.flaviaperin.com), aqui vai o texto tal qual está nas páginas da Red.

Até o sol raiar

No bairro de Chueca, alguns endereços espertos para a noite acabar de dia

Vibrante e cada vez mais moderna, Madri esbanja diversão para quem tem gás – a ‘movida’ noturna é das melhores da Europa e agrada aos gostos mais variados. O bairro do momento é Chueca, que superou os tempos em que era ponto de drogas e prostituição para se transformar numa das mais divertidas e dinâmicas regiões da capital espanhola. Café, take away e videoclube, o Diurno (San Marcos, 37, 522-0009) é reduto de cinéfilos. Gostou da proposta? Vá ao bar da família Bardem, La Bardemcilla (Augusto Figueroa, 47, 521-4256), e aproveite para degustar boa comida a preços acessíveis. Os pratos são batizados com nomes de filmes! Para dançar, os antenados procuram o Priscilla (San Bartolomé, 6). E, para encerrar a noite sem abandonar o estilo local, o Hotel Room Mate Óscar (Plaza Vázquez de Mella, 12, 701-1173). Supercool, serve o café da manhã até meio-dia. Não sobram desculpas para não aproveitar os embalos até o fim…

* Flavia Perin acaba de voltar de uma temporada europeia e recupera-se de várias noites sem dormir

Edição que vem tem mais colaboração “vermelha”… Mais endereços legais em mais cidades (América do Sul entra na jogada!) e uma notinha sobre um restau muy rico na deliciosa Buenos Aires.

Já vêm aí mais novidades, aguardem!