o mundo até parece uma festa

01.Outubro.2009 - 4 Responses
o vento sabe se divertir com o tempo...

o vento sabe celebrar o tempo...

você resolve se quer fazer do seu dia uma celebração ou um lamento, apesar de não ser tão simples. e é esse o desafio, simplificar tudo o que for possível, venha de fora ou de dentro. o mundo é desatento, deixa passar momentos lindos no meio de uma pressa de bater ponto, pagar conta, ser alguém mais esperto. sempre me pergunto se o que faço é o mais importante, menos quando não tenho dúvidas e apenas sinto – bem, comigo e com todos os contudos. viver será vencer a rotina como se nenhuma luta fosse, deixando rastros bem marcados de feitos bem-feitos e sonhos prontos para consumo. acorde e pense no que quer fazer de você hoje. se conseguir, me conte. eu abro a champanhe. faço a trilha, arrisco uns passos na pista, volto pra casa sem resto de energia – algo que quanto mais se usa mais se renova, mais se tem forte. ter ânimo é escolha; sendo assim, escolha-se. a sensação de saber de tudo? falsa, é só a impressão que acumular os anos causa. só fachada. se é pra mostrar, que seja belo! bonito de guardar na gaveta dos olhos, mas espalhar a parte volátil – suave… – pelos poros.

…eu escreveria com o vocabulário dos sons e no infinito viveria o hoje. eu digo obrigada à sorte!

da série O futebol explica tudo – II

31.Agosto.2009 - Leave a Response
tirada no Memorial do Maracanã/RJ.

tirada no Memorial do Maracanã/RJ.

Explica?

nonsensemania

07.Agosto.2009 - 2 Responses

não conhecia nada além do silêncio da madrugada. a vida de dia é de muitas palavras, muito agitada. vive acabando o tempo de fazer alguma coisa. o momento é próximo, o próximo momento. é, mas não há de ser nada. saudades do tempo em que a verdade era brincada. brincadeira de verdade é ser autenticamente babaca. sem medo da papelada. papagaiada. macacada. palavras foneticamente parecidas. o todo pela parte. a parte que não diz nada. nadar num oceano de possibilidades inventadas. frases de alguma música, poesia ou cena, autoria roubada. vida que corre e vaza pelas grutas da incerteza. a única certeza é a cereja do bolo do aniversário que traz a idade de crescer para a razão. se você quer dizer sim, por que diz não?

Ontem

10.Julho.2009 - 2 Responses

O dia anterior parece perto

ou longe?

Deixa a sensação

de que o mundo

é para os nômades

que caminham sem direção.

E a Lua,

ainda cheia no céu,

pura provocação.

* Na página de ontem da minha agenda, Fernando Pessoa escreveu:

“Eu gosto tanto de ti que tenho vergonha de mim. Há todas as razões boas para eu não gostar de ti, menos a de eu não gostar, porque gosto. É fantástico a gente sentir o que não quer e ter um coração independente.” (Aforismos e Afins)

Eis um homem fantástico…

Saudade capital

16.Junho.2009 - 6 Responses

Brasília tem um quê de capital de outro planeta.

Inóspita e improvável, reta e curva, agregadora e distante, única.

Depois de lá estar por duas semanas quase inteiras, seguidas, sinto falta… Simples saudades de estar lá, naquela posição geográfica que não é a minha raiz exata — que é Sampa –, mas que tanto diz do meu país, desse nosso povo, dessa nossa cultura. Eu indico o Cerrado, a selva de pedra (meio um descampado) de Niemeyer, o céu de Brasília.

Também o final de tarde, os taxistas — Aidê! Sérgeo! –, os moradores de nomes estranhos, as quadras, os setores, os eixos. Os bares cheios de não-sei-quem’s e o monsieur Daniel Briand, pelo ambiente francês, os croissants e a bomba de chocolate! Aquele árabe que mesmo numa segunda-feira tinha vida, obrigada!

Me sinto mais brasileira depois desses dias brasilienses… Coisa boa.

E, pra fechar com chave de ouro, mais uma dessas coincidências que a gente adora — Vanvan que achou noutro blog: Os Bolonistas –, um trecho do filme L’ Homme de Rio, de 1964, com Jean-Paul Belmondo. Ótemo!

da série Frases invasoras de cérebro

10.Junho.2009 - Leave a Response

No mundo adulto não há espaço para firulas.
(Da rainha das firulinhas)

Isto é poesia, meu senhor

09.Junho.2009 - One Response

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;

E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.

Assim é a ação humana pelo mundo afora.

Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;

E o sol é sempre pontual todos os dias.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), Poesia

Do que se ouve com os ouvidos mais atentos

01.Junho.2009 - One Response

É engraçado que se descubram preciosidades em meio a coisas que já nos pertenciam. Livros que lemos de novo e com os quais finalmente nos identificamos, roupas para as quais não damos muita bola e de repente vestimos e com elas nos gostamos, músicas que num dado momento parecem mais bonitas e sincronizadas com o que estamos pensando, sentindo, vivendo. Com uma música, isso pode rolar sem que a letra tenha um sentido literal, levado à risca. Pode ser que os versos falem em código, escondam mensagens desconexas… Dá pra entender? Talvez não dê mesmo, e cada vez mais eu aprecio aqueles lances que a gente não sabe bem como…

Meiga Presença

Mart’nália

Quem ao meu lado
esses passos caminhou?
Esse beijo em meu rosto,
quem beijou?

A mão que afaga a minha mão,
este sorriso que não vejo
De onde vem? Quem foi que me voltou?
Vem, de outro tempo
bem longe que esqueci

A ternura que nunca mereci
Quem foste tu presença e pranto?
Eu nunca fui amada tanto
Estás aqui, momento antigo
Estás comigo!
Se não te importa ser lembrado
Se não te importa ser amado
Amor amigo, fica ao meu lado sempre

O futebol explica tudo…

24.Maio.2009 - One Response

“A bola não é a inimiga

como o touro, numa corrida;

e, embora seja um utensílio

caseiro e que se usa sem risco,

não é o utensílio impessoal,

sempre manso, de gesto usual:

é um utensílio semivivo,

de reações próprias como bicho,

e que, como bicho, é mister

(mais que bicho, como mulher)

usar com malícia e atenção

dando aos pés astúcias de mão.”

João Cabral de Melo Neto

Pode chamar de Guga… Sabe quem?

21.Maio.2009 - Leave a Response

Entrevista com o tenista Gustavo Kuerten, o Guga, concedida por email para a seção Olhar estrangeiro da edição de maio da revista Up!, da companhia aérea portuguesa TAP. Texto na íntegra, em português BR.

Por Flavia Perin

Maior tenista brasileiro de todos os tempos, Gustavo Kuerten – Guga, como é conhecido – é uma figura fundamental do esporte do Brasil, facilmente lembrado por suas três vitórias em Roland Garros (em 1997, 2000 e 2001), torneio que, reconhece, é a sua grande paixão. O Aberto da França de 1997 foi a sua primeira grande conquista profissional e a maior do tênis masculino brasileiro até hoje. O jovem catarinense, então com apenas 20 anos e 66º do ranking mundial, desbancaria o bicampeão do torneio, o espanhol Sergi Bruguera, em plena final.

A trajetória premiada começou cedo, aos 6 anos, quando Guga já “batia umas bolinhas” e disputava torneios na categoria 10 anos. Aos 14 anos passou a trabalhar com o treinador Lari Passos e, assim, a percorrer o mundo das quadras. Começava uma carreira construída com muito comprometimento, como define Guga. “A progressão e o modo como me diferenciei pelos resultados foram um processo natural e um grande aprendizado”, afirma. Mesmo fora das quadras como jogador, mantém a forte identificação com o esporte que trouxe títulos e sucesso e que, segundo ele, se transformou em amor. Atualmente, Guga promove ações sociais com o Instituto Guga Kuerten, que atua principalmente em Santa Catarina, e trabalha em projetos para desenvolver o tênis no Brasil.

Neste momento, está envolvido com a realização da Semana Guga Kuerten, que ocorrerá em Florianópolis do dia 7 a 14 de junho. O evento terá como base a sua experiência como tenista desde a fase juvenil e será composto por várias ações, como a Copa Guga Kuerten para tenistas de 10 a 18 anos, um torneio nacional que ele espera que no futuro se torne internacional. Haverá também clínicas com Larri Passos e o tenista brasileiro Jaime Oncins, palestras com o preparador físico Nuno Cobra e jogos de tênis por toda a capital catarinense, realizados em mini-quadras.

Para encerrar, Guga jogará um jogo-exibição com Sergi Brugera, repetindo a final de Roland Garros de 1997. “Voltei a treinar com o Larri para poder encarar mais uma vez o Brugera”, conta. Mais um acontecimento marcante para o tenista que diz que, com o tênis, experimenta emoções que só o esporte pode proporcionar. “O tênis me ensinou muito em termos de disciplina, determinação, respeito, valores morais, planejamento e conquista de metas, além de cultura em função das viagens.”

Portugal ocupa parte importante de seu mapa profissional e afetivo, já que em 2000 venceu o Masters Cup de Lisboa. “Realizei o sonho de terminar uma temporada como o número 1 do mundo, tendo a oportunidade de enfrentar Pete Sampras e Andre Agassi, na semifinal e na final da competição.” Como brasileiro, revela ter uma ligação histórica com Portugal, vínculo que foi se aprofundando com os vários torneios que disputou no país. “A cultura e o idioma me deixam muito confortável em Portugal.” Para ele, a aproximação e o envolvimento entre os brasileiros e o povo português foram determinantes para a conquista do Masters Cup de Lisboa. “São detalhes que contam demais numa vitória. Foi muito legal poder discursar em português.”

Aos turistas de primeira viagem a terras portuguesas, Guga sugere que se dediquem a conhecer e a se aprofundar na cultura nacional. “A história dos precursores das expedições marítimas e a literatura, enfim, todo o lado cultural que está ligado diretamente à nossa origem”, aponta. Das idas à Portugal, o tenista guarda a lembrança do desenvolvimento que testemunhou. “Visitei Portugal na década de 90 e, quando voltei em 2000, percebi uma evolução rápida, um país mais desenvolvido, mais bem preparado.” Uma passagem bastante forte e interessante, apesar de triste, está entre as memórias que Guga mantém em relação à Portugal: “Eu sempre declarei que era fã do Ayrton Senna, mas nós não nos conhecíamos e combinamos de nos encontrar na Quinta da Braguinha, em Bragança, logo após a corrida dele e do meu jogo em Lisboa. Não deu tempo. O Senna morreu na Itália no mesmo dia em que eu estava jogando em Portugal. Esta história é inesquecível para mim.”

Das personalidades portuguesas, as que mais despertam a sua admiração são Luís Figo, Cristiano Ronaldo e Eusébio, no futebol, e a maratonista Rosa Mota. Seu lugar predileto no país? “A Praia do Guincho”, em Cascais, responde sem titubear, já que além de tenista Guga é um aficcionado surfista. Ele lembra que Santa Catarina oferece boas condições de surfe durante o ano inteiro, de Florianópolis até as praias do sul do Estado. Entusiasmado com o assunto, Guga destaca o que há de melhor em sua terra natal: “Apesar da nossa beleza natural diferenciada, me orgulho muito do povo catarinense. Santa Catarina também foi privilegiada pela imigração, influência que, agregada à emotividade brasileira, gerou uma população muito gentil e receptiva.” Um legítimo convite para conhecer Santa Catarina, de um dos seus mais estrelados filhos.