Ok, eu me rendo

22.janeiro.2010 - Uma resposta

Decidi aceitar a realidade: este blog está quase morrendo. Não por falta de amor – reservo à este espaço um lugar especial no meu peito. Mas um passarinho chamado Twitter me fisgou como peixe faminto. Condiz com a minha verdade atual, que é a falta de tempo. Escrever um pensamento, uma dica, um desabafo em 140 caracteres faz muito mais sentido neste meu momento. E, não por pura coincidência, tem feito sentido para muita gente. Hoje contabilizo 559 tweets, 230 following e 155 followers. É coisa pra caramba – pessoas e instituições soltando o verbo minuto a minuto, eu superincluída nisto, seguindo e sendo seguida como num filme policial agitado, em que ninguém chega a morrer por causa dos tiros. Ok, há quem se queime – alguém lembrou da Xuxa e da Sandy? Mas o barato é se expor com tamanha dinâmica,  e saber da vida, dos feitos, das sugestões e dos arroubos filosóficos alheios numa única tela, sem muitos cliques.

Não sabe do que eu estou falando? Entre já e fuce, você logo entende: www.twitter.com/flaviaperin. Tomara que você se deixe voar junto com este pássaro do nosso presente.

Temos razões

07.janeiro.2010 - Deixe seu recado!

É este mesmo homem que me dá uma resposta… Disseram-me “suas razões são outras”. Importa? O que vale, outro me disse, é que se respeitem os próprios sentimentos, soberanos que são. Escrever com verdade e não escrever sem mentira acaba sendo a mesma coisa. A diferença é a falta de poesia em linhas concretas, prontas para o sempre em toda a sua vastidão.

Razão de ser

Escrevo. E pronto.

Escrevo porque preciso

preciso porque estou tonto.

Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece.

E as estrelas lá no céu

Lembram letras no papel,

Quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.

O peixe beija e morde o que vê.

Eu escrevo apenas.

Tem que ter por quê?

[Paulo Leminski]

para que leda – alguém mais?… – me leia

08.dezembro.2009 - Deixe seu recado!
para que leda me leia

para que leda me leia

precisa papel de seda

precisa pedra e areia

para que leia me leda

precisa lenda e certeza

precisa ser e sereia

para que apenas me veja

pena que seja leda

quem quer você que me leia

[Paulo Leminski]

Adoro escrever desde que me entendo por um ser alfabetizado. Bilhetes na sala de aula para os amigos, cartas de afeto e amor para parentes e pretês, redações (e não só as que a professora de Português encomendava). Fiz dois livrinhos de contos na 2ª e na 3ª séries, como atividade de final de ano – bela escola esta, Pentágono… -, e cheguei ao cúmulo de escrever meu nome e frases soltas pelas paredes e portas de casa. (Prefiro não lembrar do castigo que recebi…)

Escrevo assim até hoje, é meu trabalho, e confesso que sinto um prazer especial no bater de teclas. Mas abandonei, a-ban-do-nei este blog e um outro que mantenho em segredo, a que só eu tenho acesso. Por quê? Talvez eu tenha a resposta.

Assim como sempre gostei de escrever, não gosto, na mesma proporção, de fazer coisas que outras pessoas fazem aos montes. Salvas as exceções, que existem e nós só temos de agradecer por isto!, blog virou sinônimo de “falomesmofalotudofaloeescrevo”. É gritante e perturbante a quantidade de espaços abertos para que bobagens e mentiras sejam propagadas pela world wide web. Ok, vivemos num mundo livre. Uf…

Mas… Meu bode não acaba com a minha vontade de escrever, muito menos me impede de postar aqui as coisas que escrevo, as minhas bobagens, as minhas mentiras – nunca disfarçadas de dados concretos ou fatos históricos. Eu não sei para quem escrevo, e pode ser que nem exista esse alguém. Pode ser que nem a Leda, a do Leminski ou outra, venha a me ler. Ainda assim quero fazer. Ainda que muito de vez em quando…

Um dia eu volto. Acho que amanhã mesmo.

ps. Obrigada a quem me presenteou com este PL.

o mundo até parece uma festa

01.outubro.2009 - 4 Respostas
o vento sabe se divertir com o tempo...

o vento sabe celebrar o tempo...

você resolve se quer fazer do seu dia uma celebração ou um lamento, apesar de não ser tão simples. e é esse o desafio, simplificar tudo o que for possível, venha de fora ou de dentro. o mundo é desatento, deixa passar momentos lindos no meio de uma pressa de bater ponto, pagar conta, ser alguém mais esperto. sempre me pergunto se o que faço é o mais importante, menos quando não tenho dúvidas e apenas sinto – bem, comigo e com todos os contudos. viver será vencer a rotina como se nenhuma luta fosse, deixando rastros bem marcados de feitos bem-feitos e sonhos prontos para consumo. acorde e pense no que quer fazer de você hoje. se conseguir, me conte. eu abro a champanhe. faço a trilha, arrisco uns passos na pista, volto pra casa sem resto de energia – algo que quanto mais se usa mais se renova, mais se tem forte. ter ânimo é escolha; sendo assim, escolha-se. a sensação de saber de tudo? falsa, é só a impressão que acumular os anos causa. só fachada. se é pra mostrar, que seja belo! bonito de guardar na gaveta dos olhos, mas espalhar a parte volátil – suave… – pelos poros.

…eu escreveria com o vocabulário dos sons e no infinito viveria o hoje. eu digo obrigada à sorte!

da série O futebol explica tudo – II

31.agosto.2009 - Deixe seu recado!
tirada no Memorial do Maracanã/RJ.

tirada no Memorial do Maracanã/RJ.

Explica?

nonsensemania

07.agosto.2009 - 2 Respostas

não conhecia nada além do silêncio da madrugada. a vida de dia é de muitas palavras, muito agitada. vive acabando o tempo de fazer alguma coisa. o momento é próximo, o próximo momento. é, mas não há de ser nada. saudades do tempo em que a verdade era brincada. brincadeira de verdade é ser autenticamente babaca. sem medo da papelada. papagaiada. macacada. palavras foneticamente parecidas. o todo pela parte. a parte que não diz nada. nadar num oceano de possibilidades inventadas. frases de alguma música, poesia ou cena, autoria roubada. vida que corre e vaza pelas grutas da incerteza. a única certeza é a cereja do bolo do aniversário que traz a idade de crescer para a razão. se você quer dizer sim, por que diz não?

Ontem

10.julho.2009 - 2 Respostas

O dia anterior parece perto

ou longe?

Deixa a sensação

de que o mundo

é para os nômades

que caminham sem direção.

E a Lua,

ainda cheia no céu,

pura provocação.

* Na página de ontem da minha agenda, Fernando Pessoa escreveu:

“Eu gosto tanto de ti que tenho vergonha de mim. Há todas as razões boas para eu não gostar de ti, menos a de eu não gostar, porque gosto. É fantástico a gente sentir o que não quer e ter um coração independente.” (Aforismos e Afins)

Eis um homem fantástico…

Saudade capital

16.junho.2009 - 6 Respostas

Brasília tem um quê de capital de outro planeta.

Inóspita e improvável, reta e curva, agregadora e distante, única.

Depois de lá estar por duas semanas quase inteiras, seguidas, sinto falta… Simples saudades de estar lá, naquela posição geográfica que não é a minha raiz exata — que é Sampa –, mas que tanto diz do meu país, desse nosso povo, dessa nossa cultura. Eu indico o Cerrado, a selva de pedra (meio um descampado) de Niemeyer, o céu de Brasília.

Também o final de tarde, os taxistas — Aidê! Sérgeo! –, os moradores de nomes estranhos, as quadras, os setores, os eixos. Os bares cheios de não-sei-quem’s e o monsieur Daniel Briand, pelo ambiente francês, os croissants e a bomba de chocolate! Aquele árabe que mesmo numa segunda-feira tinha vida, obrigada!

Me sinto mais brasileira depois desses dias brasilienses… Coisa boa.

E, pra fechar com chave de ouro, mais uma dessas coincidências que a gente adora — Vanvan que achou noutro blog: Os Bolonistas –, um trecho do filme L’ Homme de Rio, de 1964, com Jean-Paul Belmondo. Ótemo!

da série Frases invasoras de cérebro

10.junho.2009 - Deixe seu recado!

No mundo adulto não há espaço para firulas.
(Da rainha das firulinhas)

Isto é poesia, meu senhor

09.junho.2009 - Uma resposta

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;

E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.

Assim é a ação humana pelo mundo afora.

Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;

E o sol é sempre pontual todos os dias.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), Poesia